Eu agradeci por não ter sido como eu esperava. São as leis da física.
Porque sempre fomos polos opostos e você sempre teve o quádruplo do meu tamanho em tantos sentidos. Às vezes parecia se agigantar só diante de mim. E quando a física seguia seu curso e você me puxava para perto num ato involuntário, o baque era forte, cara. O baque era forte porque nosso poder de atração era enorme. E machucava. O dia em que resolvi que a gente não era pra ser, foi o mesmo em que eu entendi que você era gigantesco demais e seu magnetismo se estendia a todas as pessoas ao seu redor. Ontem, me perguntei como é que eu me permiti me perder dessa maneira. Presa nessa multidão embasbacada e sugada pelos teus olhinhos perdidos de quem não faz nenhuma ideia do que quer. Imã, meu imã. Fui burra. Eu sempre detestei todas essas matérias. Foi tentando me desfazer do seu poder de atração absurdo e ridículo de tão potente, que me coloquei ao teu lado oposto, achando que assim ia te repelir. Passei uma vida inteira sem entender que quanto mais eu me tornava o teu oposto, mais o teu poder surtia efeito. Ontem joguei tuas revistas fora e mandei te entregarem as coisas que você esqueceu no maldito apartamento que mandei pintar só para arrancar o teu cheiro de lá. Me redesenhei, em novos traços e rabiscos, nada próximo do que um dia fui. Me coloquei de igual para igual. Achei que quando te visse novamente, as minhas pernas fossem tremer, e que não fossem mais capazes de sustentar meu peso, daí eu me renderia e seria puxada por você de novo. Te vi. Agora era + com +. E aí... você já sabe o que aconteceu. Eu agradeci por não ter sido como eu esperava. São as leis da física.


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