Seus olhos sempre foram minha perdição

Seus olhos sempre foram minha perdição, esses olhos risonhos que me fizeram voltar pra você pela nona vez e ainda assim ter esperança de que estávamos fora de perigo. Perigo? Nós batemos pela décima vez, mas talvez fosse um problema na cabeça, porque eu sempre estava preparada pra próxima. Não é insistindo que se consegue? Bati minha cabeça umas trocentas vezes ao longo do nosso percurso. Dá pra continuar. Dá pra ir mais um pouco. Eu consigo mais uma vez. Sabe por que? Porque teu beijo era anestésico. Porque ao seu lado eu me sentia uma maldita borboleta. E também, porque você era aquele tipo de bandido narcisista que gostava de deixar pistas e eu não fui esperta o suficiente pra descobrir que seus rastros me levariam para o buraco. Eu não ia encontrar seu amor nos vestígios que você deixava, porque teu falso amor era um crime quase perfeito. Aceleramos tanto que nem sabia a quantos quilômetros por hora estávamos indo, mas eu gostava. A adrenalina que eu sentia com você, me fazia ser capaz de tudo. Eu te dava tudo que eu tinha e ainda sentia que estava em dívida. O mundo inteiro era apenas um borrão e nós dois éramos a única coisa que eu enxergava com nitidez. Você se lembra de quando apertou o freio? Eu lembro. Você me olhou por alguns segundos que pareceram a eternidade, seus olhos marejaram e eu implorei para você não desistir de nós dois. Mas eu sabia o que ia acontecer. Nós batemos com tanta força que tudo em mim se estilhaçou e quando olhei para o lado, eu vi que você ainda estava inteiro. O perigo sempre foi pra mim, você era imune em todo tempo que fazia acreditar que nós estávamos lutando por nós dois, quando na verdade, eu estava lutando sozinha e o único vilão era você. Para me salvar do nosso estrago tive que caminhar, quando não foi possível, eu rastejei. Mas não desisti. Você cortou minhas asas, Caleb. Mas também me libertou de você, eu não era mais sua borboleta.

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